Andy Kaufman



Andy Kaufman


Hoje faz 35 anos que Andy Kaufman deixou esse plano e faz apenas 3 dias que conheci sua incrível historia. Resolvi escrever um pouco dos milhares de pensamentos que surgiram na minha cabeça. Foram tantos que resolvi dividir em duas partes.


(Já antecipo que se você é ou quer ser ator, VOCÊ TEM QUE VER os filmes que vou citar abaixo!)


PARTE UM: O Filme “O Mundo de Andy”



No último domingo antes de dormir, segui o ritual de fechamento do final de semana: ver alguma série ou filme. O escolhido da vez foi o filme “O Mundo de Andy”, dica meu sócio Rodrigo Araujo. Dica essa que eu já vinha adiando no mínimo dois anos, porém sempre esteve ali na minha lista. Então finalmente resolvi assisti-lo.


A obra de 1999 tem Jim Carey como protagonista (na Parte dois comento sobre ele) e nada mais nada menos que o vencedor do oscar Milos Forman (Um Estranho no Ninho) na direção, que infelizmente faleceu mês passado.


O filme conta a historia de Andy Kaufman. Reduzir esse cara a apenas um comediante seria o maior erro que alguém poderia cometer. Eu o chamaria de um artista, visionário, estranho, alucinado, maluco. E se for pra reduzir para apenas um termo, o definiria como um gênio.


Andy começou fazendo shows em casas noturnas e logo foi parar na ABC onde tomou projeção em todo o Estados Unidos. Não vou me extender e nem dar spoiler, mas as coisas que esse cara fez que são retratadas no filme me deixou admirado.


Números irreverentes e criativos, manipulação da mídia, pegadinhas com o público, personagens nada carismáticos, ideias absurdas faziam Andy ser engraçado sem ser engraçado.


Falando em personagens, não poderia deixar de citar Tony Clifton, o cantor mais arrogante que já existiu. Simplesmente genial.


O que mais me chamou atenção foi o quão original esse cara era. Ele não fazia humor para os outros, mas sim para ele mesmo. Andy queria ser o melhor artista do mundo e provavelmente teve um momento em que ele foi.


Essa é uma historia que pode servir de inspiração para qualquer um, seja você um artista ou não. Então veja esse filme!


PARTE DOIS: O documentário “Jim & Andy” (Netflix)



Esse é de longe, o documentário que mais me impactou em toda a minha vida. Ele mostra como foram as gravações de “O Mundo de Andy” e Jim Carey conta como foi a sua a total imersão ao personagem.


Em 2016 comecei a entrar no mundo do cinema e fui me apaixonando aos poucos. Todo o processo de criação de um filme é algo mágico. Você criar uma historia, personagens e situações e depois transferir para a tela é algo que não tem preço.


Não tem como definir o que é mais legal, mas o desenvolvimento dos personagens é algo que realmente incrível. São diversos fatores que se juntam nessa criação, até o momento em que o personagem tem vida própria e o ator não tem mais controle sobre ele.


E foi o que aconteceu com Jim. Depois de ser selecionado pro papel ele disse para sí mesmo: “Ok, agora eu sou Andy”. E em seguida tudo o que aconteceu no set de filmagem é algo maravilhoso, que retrata o que o cinema é capaz de fazer. Andy Kaufman ressuscitou (Tony Clifton também).


Os persongens da carreira de Jim Carey são muito complexos, se ele não mergulhasse de vez neles seus filmes com certeza seriam fracassados. Mas o que ele fez nesse filme foi algo surreal, ele realmente transcendeu e se transformou em Andy.


Com ele toda uma equipe teve que viver um filme paralelo que acontecia nos bastidores. Eles tinham que se referir ao Jim como Andy, pois Jim Carey já não existia mais. Então o que presenciamos são inúmeros chiliques, piadas, brigas, loucuras que o então Andy fazia entre uma filmagem e outra. Andy estava tocando o terror!


O principal momento para mim é quando na segunda semana de filmagem, Milos Forman liga para Jim Carey exausto com a situação. Então Jim pergunta:


- “Ok. Eu sou sou um ótimo imitador e posso imitá-lo se for isso que você quiser.”


Traduzindo:


- “Ok. Eu posso deixar de viver Andy e apenas imitá-lo se você quiser”.


Então Forman fica em silêncio.


A imersão atingida por Jim Carey foi tão absurda que após as filmagens a volta dele a si mesmo foi muito conturbada. Ele não sabia mais como era ser ele mesmo. Acho até que depois desse papel ele nunca mais voltou ao normal. Tudo que ele conta no documentário tem muita profundidade, percebe-se uma melancolia em certos momentos. Porém tudo é extremamente inspirador.


Enfim, essa é uma historia incrível que vale muito a pena conhecer. Veja o filme e depois o documentário. E se você vive no mundo do cinema, qualquer área que seja, essa é uma peça fundamental para ajudar a você a se desenvolver profissionalmente.


Thiago L. Soares

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